Fuga de Flávio ajuda mais a adversários do que a aliados
Em coluna de opinião, José Natal analisa a saída de Flávio Bolsonaro do país e seus efeitos na disputa pela liderança da direita.

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O sonho de muitos brasileiros, durante décadas, foi juntar um dinheirinho e, quase sempre no final do ano, embarcar para a Flórida. Miami, considerada por muitos uma cidade maravilhosa, tornou-se símbolo desse desejo. Não muito longe dali estão os encantos da Disney World, um universo fascinante para adultos e crianças, onde reinam o esperto Mickey e o atrapalhado Pateta, narigudo e espalhafatoso.
Não foi exatamente a diversão que levou Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. Sua fuga, digna de um roteiro de aventura ao estilo Indiana Jones, acabou produzindo uma cena que, para adversários e até alguns aliados, tem mais de comédia política do que de estratégia.
Se a intenção era encontrar o Mickey, foi a imagem do Pateta que saltou à frente. E o autoproclamado líder da oposição brasileira parece ter abraçado o personagem com entusiasmo.
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Difícil imaginar uma jornada politicamente mais desastrosa.
Com milhões de votos conquistados nas urnas, o apoio de uma direita que chegou unida à disputa presidencial, deputados e senadores eleitos em todo o Brasil e um imenso campo político ainda por explorar, Flávio escolheu sair do país. E, de longe, apresenta-se como alguém capaz de devolver o Brasil aos brasileiros.
Haja cebola para tantas lágrimas.
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Além de ampliar os questionamentos sobre sua própria situação, a decisão abre espaço para aqueles que já desejavam disputar o protagonismo da direita nas próximas eleições. Afinal, o afastamento de uma liderança que reuniu milhões de votos inevitavelmente movimenta o tabuleiro político.
Alguns nomes já estão na pista, aguardando o tiro de largada.
Tarcísio de Freitas, Michelle Bolsonaro, Ronaldo Caiado e outras lideranças passam a encontrar um cenário diferente daquele que se desenhava até poucos dias atrás. Sem Flávio ocupando o centro das articulações, a disputa por espaço e influência tende a ganhar novos capítulos.
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Do outro lado, o PT observa os acontecimentos com evidente interesse político. A saída do principal adversário da disputa presidencial pode oferecer ao partido novas possibilidades de articulação e reorganização de sua estratégia.
Dias frenéticos pela frente.
Tarcísio de Freitas sempre demonstrou habilidade política e capacidade de articulação. Se ainda não avançou de maneira mais contundente na disputa pela liderança da direita, muito disso pode ser atribuído ao peso político de Jair Bolsonaro e às relações construídas dentro desse campo.
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Agora, com Flávio nos Estados Unidos e o futuro de sua atuação política cercado de incertezas, o cenário começa a se redesenhar.
A direita terá de decidir se permanece à espera de seu candidato derrotado ou se inicia, desde já, a construção de uma nova liderança.
Em tempo: o resultado das eleições foi reconhecido pelas instituições responsáveis pelo processo eleitoral. Questionamentos precisam ser acompanhados de provas, não apenas de inconformismo com as urnas.
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O resto é dor de cabeça de quem ainda não se recuperou da ressaca eleitoral.
Faz parte.
José Natal
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José Natal
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