Chico Maia conta como começou no kart e revela o sonho de chegar à F4 Brasil
Em relato em primeira pessoa, o piloto da categoria F400, em Brasília, fala sobre as primeiras corridas, os desafios nas pistas e os planos para o automobilismo. Redação: Daniel Xavier.

Relato de Chico Maia. Redação: Daniel Xavier.
Minha história no automobilismo começou quase por acaso. Tenho amigos que sempre gostaram de carros e, por influência deles, comecei a desenvolver esse mesmo interesse. Passei a acompanhar corridas, conhecer o mundo do automobilismo e, pouco depois, comecei a jogar simuladores de corrida no computador. Até que, um dia, meu pai me viu pilotando no computador e me perguntou se eu queria andar de kart. Uma pergunta simples, que abriu as portas para algo que se tornaria muito maior do que eu imaginava.
Quando comecei a pilotar, descobri uma sensação difícil de explicar. Dentro de um kart, sinto uma mistura de adrenalina, felicidade, paz e tranquilidade. A velocidade e a intensidade da competição convivem com uma sensação de estar exatamente onde quero estar. Durante aqueles momentos, minha atenção se concentra na pista, nas curvas e em cada decisão. Pilotar não é apenas acelerar: é uma experiência que me faz sentir conectado com aquilo que estou fazendo.
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Com o tempo, o kart deixou de ser apenas uma paixão e passou a representar algo mais profundo. Para mim, o automobilismo é uma forma de provar a mim mesmo que sou capaz de conquistar aquilo que desejo. É a oportunidade de estabelecer objetivos, enfrentar dificuldades e descobrir meus próprios limites. Foi com essa mentalidade que comecei a construir minha trajetória competitiva, correndo na categoria F400, em Brasília, com o número 77 e representando a equipe Prokart.
Nas competições, aprendi que o resultado nem sempre depende apenas daquilo que fazemos ao volante. Já enfrentei abandonos, problemas mecânicos, dificuldades de desempenho e penalizações que afetaram meus resultados. Em uma das minhas primeiras experiências no BKS, fui atingido e abandonei a primeira bateria. Na segunda, larguei em último e consegui terminar em décimo lugar. Em outras etapas, conquistei resultados importantes, incluindo um segundo lugar geral entre 24 pilotos, mesmo enfrentando problemas com o equipamento. Também vivi fins de semana em que precisei superar dificuldades para avançar no pelotão e conquistar pontos importantes para o campeonato.
Essas experiências me ensinaram que uma trajetória no automobilismo é construída tanto nos bons resultados quanto nos momentos difíceis. Já tive corridas em que o equipamento não entregou o desempenho esperado, situações em que precisei recuperar posições e provas em que problemas mecânicos impediram que eu alcançasse o resultado que buscava. Ainda assim, cada etapa trouxe novos aprendizados e fez parte da minha formação como piloto.
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Entretanto, o dia 10 de outubro de 2026 marcou minha história de uma maneira diferente. Naquele dia, sofri o pior acidente da minha carreira. Durante uma corrida no Kartódromo BRB, o motor travou comigo na liderança da prova e, na curva 1, fui direto contra a barreira de pneus a mais de 90 km/h. Foi um acidente grave, que me fez enfrentar uma situação muito diferente de tudo o que havia vivido até então. Esse acontecimento passou a fazer parte da minha trajetória e representa um dos capítulos mais marcantes da minha experiência no kart.
Mesmo com os desafios, meus objetivos no automobilismo continuam claros. Quero chegar à F4 Brasil e construir oportunidades para avançar profissionalmente no esporte. Sei que esse caminho exige dedicação, estrutura, investimento e apoio, e por isso também busco formas de viabilizar meus projetos e apresentar minha trajetória a possíveis patrocinadores. Quero transformar minha paixão em uma carreira e ter a oportunidade de competir em categorias cada vez mais importantes.
No futuro, sonho em disputar o Campeonato Mundial de Endurance, o WEC, e alcançar uma das maiores conquistas do automobilismo mundial: vencer as 24 Horas de Le Mans. Sei que existe uma longa jornada entre o kart e esse objetivo, mas é justamente essa possibilidade de buscar algo tão grande que alimenta minha vontade de continuar evoluindo.
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Quando penso em como tudo começou, é curioso perceber que minha história nasceu de maneira tão simples: amigos apaixonados por carros, corridas assistidas pela tela de um computador e uma pergunta feita pelo meu pai. Hoje, aquela curiosidade se transformou em uma paixão que me levou às pistas, às competições e à construção de sonhos cada vez maiores.
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Daniel Xavier
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