Campanha Vovó Vota busca reduzir abstenção entre eleitores com mais de 70 anos
Segundo o TSE, a taxa de não comparecimento desse grupo caiu de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno de 2026; movimento apartidário defende participação no segundo turno de 25 de outubro.
O movimento apartidário Voto 70+ tem defendido a mobilização de eleitores idosos contra a abstenção por meio da campanha Vovó Vota, voltada ao estímulo da participação no segundo turno das eleições de 2026. De acordo com dados citados pela iniciativa e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil reúne cerca de 16 milhões de pessoas com mais de 70 anos, grupo que representa 10,6% do eleitorado e para o qual o voto é facultativo desde a Constituição de 1988.
Segundo o TSE, o percentual de eleitores nessa faixa etária que não compareceram às urnas passou de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno de 2026. A proposta da campanha é aproximar avós e netas durante o processo eleitoral e reforçar uma orientação: quem não votou no primeiro turno pode participar normalmente do segundo, marcado para o domingo, 25 de outubro.
A iniciativa é ilustrada, na reportagem da Agência Brasil, por histórias de eleitoras idosas que associam o voto à defesa de direitos e da democracia. No Maranhão, a quebradeira de coco babaçu Maria Alaídes Alves de Souza, de 71 anos, moradora da comunidade de Ludovico, em Lago do Junco, relatou ter caminhado 600 metros para votar no primeiro turno, em 4 de outubro, e disse que faz uma busca ativa para incentivar outras mulheres da região a não deixarem de votar. Liderança de um movimento interestadual de quebradeiras de coco, ela afirmou que a participação popular é instrumento para conquistar políticas públicas e citou, entre suas prioridades, o enfrentamento das mudanças climáticas, que afetam diretamente a atividade dessas trabalhadoras.
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Em Orizona, em Goiás, Maria Albino Costa, de 85 anos, contou que não votou no primeiro turno por considerar difícil memorizar ou anotar muitos números, mas afirmou que pretende ir às urnas no segundo turno com ajuda da filha e da neta. Segundo seu relato, a decisão está ligada à necessidade de "garantir nossos direitos". A filha, a professora Sandra Oliveira, disse à Agência Brasil que usa a trajetória da mãe como referência em sala de aula ao tratar da importância dos direitos políticos das mulheres.
Em Olinda, Pernambuco, a professora aposentada Maria José Cantarelli, de 80 anos, disse que não votou no primeiro turno e que estava afastada das eleições havia 12 anos. Conforme relatou, o clima de tensão e episódios de ofensas e agressões contribuíram para esse afastamento. Após conversa com filhos e neta, porém, decidiu voltar a participar e informou que já baixou o aplicativo e-Título para votar no dia 25.
Outras entrevistadas também relataram motivações e obstáculos. Em Nova Iorque, no Maranhão, Francisca Barroso Monteiro, de 84 anos, associou o voto à cidadania e à defesa de acesso a escola, remédios e alimentação. No Rio de Janeiro, Prazeres Maria da Silva Antunes, de 72 anos, afirmou esperar não enfrentar novamente as longas filas do primeiro turno. Em São Paulo, Beatriz Cintra Labaki, de 79 anos, contou que precisou subir escadas no local de votação. A reportagem lembra que resolução do TSE prevê atendimento prioritário a idosos e medidas de acessibilidade para garantir autonomia e segurança no processo de votação.
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A memória do período sem eleições diretas para presidente também aparece como fator de engajamento. A aposentada carioca Suely Mendonça, de 79 anos, disse à Agência Brasil que se emociona ao ir à seção eleitoral e recordou sua participação nas Diretas Já e os anos de censura durante a ditadura. Nas histórias reunidas pela reportagem, o movimento Vovó Vota sustenta que a consciência cidadã entre pessoas idosas pode contribuir para reduzir a abstenção e ampliar a presença desse eleitorado nas decisões políticas do país.
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